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terça-feira, 16 de outubro de 2012

Livros para quem leva bumerangue a sério

Olá, pessoal,


Não existe muita literatura especializada sobre bumerangue. E os poucos livros que existem estão, na maioria, em inglês. Mas mesmo assim, esses livros podem ser ferramentas importantes e trazer informações preciosas para quem realmente quer aprender mais sobre bumerangues. Se você é uma dessas pessoas e acha que vale a pena encarar um idioma estrangeiro para ser um melhor atleta ou fabricante, aqui vão duas dicas excelentes de livros.

O primeiro é o "Ultimate Boomerang Book", publicado por Michael Siems em 1996, sendo um bom guia tanto para iniciantes quanto para os que já têm alguma experiência. O segundo é o "Performance Boomerangs", do John Cross, lançado em 2003, trazendo conhecimentos mais aprofundados e voltado para os atletas já exeperientes. Ambos tiveram versões digitais lançadas pelo David Bjerre Bjørklund com aprovação dos detentores dos direitos autorais originais e estão disponíveis para download gratuito no site dele (http://www.boomerangliv.dk).

Ao fazer o download, você concorda em não reproduzir o livro e não redistribuir o arquivo, até porque o David pede que o link para o site dele seja divulgado. Já que ele teve todo o trabalho de digitalizar os livros e disponibilizá-los gratuitamente, o mínimo que podemos fazer por ele é visitar o site e ajudá-lo a saber, inclusive, quantas vezes os arquivos já foram baixados. E, acreditem, ele fica bem feliz em ver quantas pessoas já foram beneficiadas pelo esforço dele.

Abaixo estão os links para fazer o download dos livros. Vale a pena ficar de olho, pois os arquivos são atualizados esporadicamente, havendo inclusive melhorias nos textos. É possível que no futuro o site inclua novos livros na biblioteca:

Ultimate Boomerang Book - Michael Siems & David Bjørklund

Performance Boomerangs - John Cross


Até a próxima.
Ítalo Carvalho

domingo, 18 de abril de 2010

Kit de campo

Olá, bumeranguers!

Quem vai para campo arremessar não leva apenas os bumerangues. É comum os praticantes usarem grandes mochilas cheias de bolsos para transportarem diversos acessórios. Alguns itens são bem úteis e até recomendáveis, mas cada um decide o que quer levar. Aqui vai minha sugestão de um kit de campo com algumas coisas básicas e outras nem tanto (visite o post "Regulando o bumerangue" para saber a utilidade de alguns itens)*:



  • Flanela: quando o campo está molhado depois de uma chuva, a flanela serve tanto para enxugar quanto para limpar a terra que fica nas mãos e no bumerangue, em caso de arremessos errados. Também pode ser usada para enxugar o suor em dias ensolarados (é claro que não vai ser a mesma usada para limpar a terra). Pode ser colocada no bolso, mas é mais prático pendurar por uma ponta na cintura da bermuda.
  • Moedas: moedas antigas podem ser fáceis de achar, mas as de um centavo também servem muito bem e não vão fazer muita falta. Podem ser substituídas por outros tipos de peso, como pedaços de chumbo achatados ou lead tape.
  • Fita adesiva: pode ser usada para prender pesos ou mesmo para fazer flaps. Prefiram fitas de boa qualidade para evitar que se soltem com facilidade. Mas cuidado: a fita pode arrancar a tinta de alguns bumerangues, a depender do tipo de acabamento que eles receberem.
  • Tesoura: se a fita adesiva é muito boa, pode ser difícil cortar com os dentes. Prefiram tesoura sem ponta, pois isso evita furos na mochila ou outros acidentes.
  • Adesivos: úteis para colar em bumerangues de cores que não se destacam. Como jogo em lugares gramados, bumerangues verdes e pretos ficam camuflados no caso de arremessos errados. Adesivos vermelhos ajudam a achá-los mais facilmente. São a única opção quando os bumerangues não podem ser repintados (os de PP principalmente, pois esse material precisa de um banho químico para poder aceitar tinta).
  • Lixa: serve tanto para fazer pequenos ajustes quando se testa um modelo que se acabou de fazer quanto para tirar rebarbas de bumerangues que sofreram choques (os de PP, principalmente).
  • Elásticos: pacotes com 200 unidades são baratos, mas não levem todos para campo. Uns 30 ou 40 já são um bom número. Dificilmente vocês usarão muitos elásticos, a não ser que queiram deixar modelos sempre preparados para ventos mais fortes. Também podem ser usados pedaços de feltro.
  • Curativos: não é difícil machucar os dedos ou mesmo as pernas (principalmente a canela), logo, é sempre bom ter curativos. O ideal é um pequeno estojo de primeiros socorros, com água oxigenada e álcool iodado para desinfetar o ferimento, além de bandagens, gaze e esparadrapos para os casos de acidentes mais graves
    • Corda: quando o bumerangue cai em árvores ou lugares muito altos onde não é possível subir, pode-se usar a corda para tentar derruba-lo. Basta amarrar uma pedra pequena na ponta da corda, girar e lançar. É melhor do que tentar apenas atirar pedras ou pedaços de pau (que podem inclusive acertar outras pessoas). Dez ou vinte metros de corda são o suficiente (recomendo o cordão de nylon, que é barato, fino e fácil de transportar enrolado em um carretel). Se a corda ficar presa em algum galho, a tesoura pode ser útil para corta-la. Vocês também podem marcar na corda com nós as distâncias de 2, 4, 6, 8, 10 e 20 metros. Assim não é necessário carregar fitas métricas para marcar raias.
    • Estilingue: quem tem boa mira, pode usar um para atirar a pedra amarrada na corda quando for resgatar bumerangues.

    • Vara de pesca telescópica: útil para tirar o bumerangue de lugares mais baixos. Há modelos disponíveis em vários tamanhos A minha é de composite de carbono, tem 70 cm recolhida e 3,60 m estendida. Custou R$17,00 e já evitou que eu subisse em muitas árvores (aliás, subir em árvores e construções é o segundo esporte favorito de quem pratica o bumerangue!).
    Outros itens que comumente se leva pra campo são anemômetro, cronômetro (principalmente quem treina para competições), luvas acolchoadas (para pegar bumerangues que voltam com muito giro, como os de fast catch. Geralmente só se usa em uma mão, deixando livre a mão usada para arremessar), lixas antiderrapantes ou fitas aderentes (para arremessar na chuva). Também se leva garrafas com água ou suco e às vezes algum lanche. Enfim, cada um sabe de suas necessidades e monta seu kit. Apenas tomem cuidado para não levarem coisas de mais que só ocupem espaço e façam peso.

    Bons ventos a todos!
    Ítalo Carvalho.

    *Todas as fotos por Ítalo Carvalho.

    terça-feira, 6 de abril de 2010

    Tire suas dúvidas sobre bumerangue

    Olá, pessoas!

    Por mais que se pesquise na internet, muitas informações não são encontradas em sites e temos que recorrer a quem tem mais experiência para tirarmos nossas dúvidas. Isso pode ser feito entrando em contato diretamente com os shapers (vejam os sites no post "Onde comprar bumerangues na internet" e procurem pelos e-mails) ou outros praticantes, mas o Ricardo Marx criou um Formspring especialmente para isso, onde ele responde suas perguntas (pra ser honesto, a maioria das perguntas sobre fabricação e shape que tem lá fui eu que mandei...):

    Formspring BUME.com.br - página criada e gerenciada pelo Ricardo Marx, de Granja Viana - SP

    As respostas não são instantâneas, então tenham paciência para esperar um pouco (geralmente alguns dias, lembrem-se que o Ricardo também tem uma vida). Usem o formspring para dúvidas genéricas sobre bumerangue, dúvidas sobre modelos específicos devem ser tiradas com os fabricantes ou vendedores.

    E não esqueçam das listas de discussão e comunidades, que são uma ótima maneira de entrar em contato com outros praticantes. Algumas delas estão listadas no menu à direita do blog.

    Bons arremessos a todos!
    Ítalo Carvalho.

    quarta-feira, 24 de março de 2010

    Dicionário de bumerangue

    Olá, pessoas!

    Como todo esporte, o bumerangue também tem seus termos próprios, seus jargões, se preferirem. Por isso, vem bem a calhar um dicionário que explique os termos mais usados:

    Dicionário bumeranguistico - O site é do Sanca, shaper e competidor de São Carlos - SP.

    Notem que abaixo da lista de palavras tem um formulário onde é possível pedir por palavras que não estejam no dicionário.

    Dêem uma boa lida nele que vocês já estarão por dentro de muita coisa sobre bumerangues!

    Bons arremessos a todos!
    Ítalo Carvalho

    terça-feira, 23 de março de 2010

    Sobre bumerangues

    Olá, pessoas!

    Sempre achei que as pessoas devem ser bem informadas sobre tudo que fazem, então aqui vai uma introdução bem legal sobre os bumerangues, incluindo alguns fatos históricos bem interessantes. É bem resumido, mas tem as coisas básicas que qualquer praticante deve saber (e o suficiente pra impressionar os desinformados numa conversa!). O texto foi retirado do site Sempre Volta, do Jerri Leu:

    "Bumerangues são objetos fascinantes, simples de se usar e que qualquer pessoa pode praticar este esporte, independente da idade.

    São verdadeiros, não como aqueles brinquedos que já vimos em desenhos animados, muito menos como aquela arma que decepa dedos de bandidos.

    Muitos ficam tão envolvidos com estes objetos, que se tornam verdadeiros pesquisadores e experts no assunto, indo atrás de informações sobre aerodinâmica, forças que agem sobre o bumerangue, novos formatos, enfim...

    A partir desta compreensão, tem-se condições plenas de construir seus próprios bumerangues, a partir de plantas que facilmente se encontra em vários websites, ou criando suas próprias plantas.

    Para isso, bastará que se tenha pouca ferramenta (serra, lima grosa, lixas, etc...) e disposição para testar as obras acabadas, porém com a necessidade dos testes de vôo, podendo haver a necessidade de ajustes no “shape” (geralmente nas bordas de ataque e de fuga).

    Os bumerangues podem variar de formato e de número de asas: 2, 3, 4, 5, 6 asas e mais (dependendo da criatividade do designer!). Existem também vários outros formatos, artísticos ou decorativos: em forma de gato, de letra, papa-léguas, gaivota, guarda-chuva, cabide, etc...(a criação vai por conta do grau de espírito de cada designer!)

    Existem também bumerangues específicos para cada modalidade: fast-catch, endurance, double, trick-catch (para estas modalidades geralmente são usados os de 3 asas ), precisão (podendo ser de 2 e 3 asas), longa distância (comum usar de 2 asas, regulados com pesos), mta e mta 100 (este é um bumerangue específico, que tem como característica “flutuar" por muito tempo no ar).

    Muito bumeranguistas não se contentam em apenas jogar em espaços abertos, então, possuem (geralmente fabricados pelos mesmos) bumerangues feitos em papel-cartão, para arremessar dentro de casa ou no escritório!

    Finalmente, construir bumerangues pode ser classificado como um trabalho de arte. Arremessar, uma terapia para quem pratica e deslumbramento para quem aprecia!

    HISTÓRIA

    O continente Australiano é o lugar onde até pouco tempo utilizava-se o bumerangue, então daí que se tem identificado este objeto como sendo exclusivo e de origem neste continente.

    O bumerangue mais antigo que se tem notícia, feito a partir de uma presa de mamute, foi encontrado na Polônia em 1987, com a idade calculada em torno de 23.000 anos. Os bumerangues de madeira mais antigos, foram descobertos em Wyrie Swamp, no Sul da Austrália, pelo arqueólogo Roger Luebbers, em 1974 e que tem em torno de 8 a 10 mil anos de idade. Também aparecem em inscrições rupestres sobre rocha, em Arnhem Landy (Australia) e acredita-se que tem mais de 15 mil anos.

    Outros bumerangues pré-históricos foram encontrados em Jutlandia (Dinamarca) com aproximadamente 7 mil anos de idade e outros aparecem representados em cavernas no norte da África, com idade estimada de 9 mil anos.

    Os índios Hopi, do Arizona (EUA), os esquimós, povos da Índia do Antigo Egito, Holanda e Alemanha, também eram lançadores de uma arma de caça e combate semelhantes aos utilizados pelos aborígines australianos. O próprio índio brasileiro tinha o seu bumerangue, o tacape. Acredita-se que o bumerangue foi sendo esquecido com o uso de outras armas, como arco e flecha.

    Os bumerangues que foram achados em escavações arqueológicas no Egito, mostram bumerangues muito elaborados, construídos em madeira e osso, decorados com ouro e pedrarias de brilhantes, onde foram utilizados como objetos sagrados. O Faráo Tutancamon foi um dos grandes aficcionados pelo bumerangue. Em sua tumba foi encontrado uma caixa com vários bumerangues adornados em ouro. Era considerado um esporte de elite, um esporte mágico, conforme desenhos encontrados em papiros e pinturas em paredes

    .
    Acima, a caixa de bumerangues achados na tumba de Tutancamon

    Acima, bumerangues encontrados no Egito.

    No princípio acreditava-se que o bumerangue era utilizado para golpear os animais durante a caça, devido à sua trajetória curva e a grande distância que podia ser arremessado.

    Também se supôs que a característica de retorno era muito útil, pois se o bumerangue não não golpeasse o animal, poderia o caçador tê-lo em retorno à mesma posição do lançamento, poupando assim de se fabricar outra arma de caça.

    Estudos mais minuciosos sobre estes achados arqueológicos da época, revelaram que o uso do bumerangue não tinha esta função (golpear animais), mas sim, usavam como bastões para assustar as presas e serem conduzidas para redes estendidas pelos caçadores. Estes bastões não regressavam, ou pelo menos não faziam de forma suficientemente precisa.

    O termo "boomerang" é de origem européia, pelos brancos , sendo que os aborígines o chamavam de "kylie" ou "karlie" e foram encontrados peças arqueológicas com 1,30 metros, com 1 kg e que alcançavam vôos de até 200 metros!

    Também se descobriu que uma variedade destes bastões era utilizada para cerimônias e jogos ("Corroborees" em língua aborígene). Neles, mediante a demonstração da habilidade no seu manejo, podia-se dizer quem assumiria a chefia nas expedições de caça. Os bumerangues formam parte do conjunto de elementos sagrados da cultura tribal.

    Acima, o "Corroboree"

    Acima, ritual aborígine, onde se utiliza o bumerangue

    O bumerangue era utilizado diariamente, às vezes como ferramenta pa cortar (carne ou vegetais), como também para cavar a terra em busca de raízes comestíveis e como arma contra inimigos e contra animais. Utilizavam-no também na pesca, golpeando com habilidade a superfície da água.

    Um bom bumerangue era símbolo de poder. O desenhos que o decoravam também eram significativos, identificando membros de famílias e clãs, mostrando assim a riqueza de quem o empunhava. As mulheres não podiam utilizar-se dos bumerangues ou kilies.

    Atualmente, o bumerangue não é mais tido como uma arma, mas sim como um esporte que fascina cada vez mais e mais curiosos e a cada ano muitos adeptos surgem.

    No Brasil temos hoje vários fabricantes de bumerangues, alguns mais expressivos, como Ricardo Bruni Marx, Leandro Henrique Borges, Jair Rodrigues e outros que a cada dia vem se destacando mais e mais, criando novos modelos, nos mais diversos tipos de materiais, como madeira, celeron, fenolite, pvc, poliestireno, policarbonato, fibra de vidro e fibra de carbono."



    É difícil encontrar mais informações em português na internet. Se você sabe inglês, recomendo procurar por "boomerang" nos sites de busca. Só pra dar um gostinho, aqui vai um link para o livro "Boomerang: behind an Australian icon", por Philip Jones, no Google Books (não está disponível por completo, mas não deixa de ser interessante):

    Outro livro interessante é o "Boomerangs: How to Make and Throw Them", por Bernard Sterling Mason, disponível em sites de livrarias internacionais.

    Só um aviso: procurar por informações sobre bumerangues na internet é meio complicado, não importa em que língua seja! Apesar do desconhecimento por grande parte do público, eles fazem parte da cultura popular e há vários livros de ficção e auto-ajuda e até programas de televisão e boates com "bumerangue" no nome, o que atrapalha bastante as buscas, então seja paciente!

    Bons arremessos a todos!
    Ítalo Carvalho