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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Modificando o Trifly

Olá, pessoal!

A história do bumerangue moderno teve vários momentos de pequenas revoluções e um deles foi a criação do modelo Trifly, pelo norte-americano Eric Darnell. O trunfo do Trifly é que, além de ser ambidestro, ele serve de plataforma para criar vários outros modelos, bastando alterando o outline e o shape. A depender do material, podem ser feitos modelos só para diversão ou para competição (Fast Catch, Trick Catch, Precisão e Enduro). A única limitação do Trifly é que ele não serve como base para modelos de MTA, Longa Distância e Australian Round.

Existem várias plantas de possíveis modificações por aí, mas poucas trazem maiores informações. Abaixo seguem oito delas com alguns detalhes. As modificações de 1 a 6 não exigem shape, basta cortar as três asas para que fiquem iguais às áreas em cinza da figura. Um detalhe: os modelos para Fast Catch e Enduro não serão dos mais rápidos (em comparação com os modelos mais recentes, já que esses foram criados há muitos anos), então não são bons para usar em campeonatos. Mas eles podem ser muito úteis para quem está começando a praticar essas modalidades par se acostumar com os tipos de arremesso e voo.


  1. Tem um voo circular que desacelera no final, mas ainda com bastante giro, terminando com um planeio a um pequena altura. Bom para treinar Fast Catch.
  2. Chamado de Enduro, esse modelo é bastante estável e com uma trajetória bem previsível, desacelerando continuamente. Pelo nome, já dá pra perceber que é um modelo para treino de Enduro.
  3. O modelo mais rápido dentre os descritos aqui, e também mais violento. Pode ser usado na segunda rodada de Fast Catch para conseguir menor tempo.
  4. Tem uma queda rápida no final, servido para a prova de Precisão.
  5. Muito estável e com bastante perda de giro no fim no voo, servindo para a prova de Fast Catch em ventos fortes.
  6. Inicialmente foi projetado para ser usado como inside na modalidade Doubler da prova de Trick Catch (o outside seria um Trifly sem modificações). Porém, foi utilizado por Gregory Bisiaux para determinar o então recorde mundial de Fast Catch (15.03 s). Não se sabe que modificações foram feitas no shape, mas o material era PP.
  7. Semelhante ao Enduro, mas com a asa mais estreita. Deve-se fazer uma borda de fuga, para deixá-lo mais rápido. Feito em em ABS, para a modalidade de Fast Catch.
  8. Chamado de Soft Toss, é um modelo bem fácil de ser lançado, devendo ser feita uma borda de fuga. Bom para Pegadas Consecutivas.

    Para marcar onde cortar no Trifly, vocês podem ampliar e imprimir a imagem (para o Trifly nacional a imagem deve ser ampliada para 162%):


    Depois recortar a planta desejada (neste caso, eu utilizei a nº 1), posicionar sobre a asa do Trifly e marcar as linhas de corte:

     

    Notem que o Trifly que usei já vem pintado (foto da esquerda), então, para as linhas ficarem mais visíveis, preferi marcá-las na parte de baixo do bumerangue. Para isso, eu inverti a planta (foto da direita). Vejam abaixo como ficou a asa marcada:


    E, por fim, o bumerangue pronto:


    É importante mencionar que, além do formato, o material do bumerangue também influencia. O de PP podem ser usados para Trick Catch e Precisão. Já para Fast Catch as melhores opções são o ABS (ventos fracos) e nylon (ventos mais fortes). Aqui no Brasil só temos os de PP e de ABS, vendidos pela Bahadara. Quem quiser de nylon, só mesmo importando (Flight Toys). E, para quem já ouviu falar sobre isso, leiam sobre as diferenças entre o Trifly nacional e o importado.

    Nos vídeos abaixo, o Ricardo Marx mostra como fazer um modelo para Fast Catch (não é um dos descritos acima) a partir de um Trifly de nylon e dá algumas outras dicas:


    Parte 1

    Parte 2


    Há outras plantas no site BUME.com.br, e, para quem gostar mesmo de modificar bumerangues, os modelos Renner (importado) e Infinity (Bahadara) oferecem outras possibilidades (inclusive para Australian Round). As plantas que estão aqui são apenas algo por onde começar, vocês podem ir muito além disso.

    Ah, e também é bom dizer que quando se altera o Trifly, o novo modelo não será ambidestro. Então, se você for canhoto, lembre-se de inverter as plantas (já que a maioria delas é para destro), inclusive as que mostrei aqui.


    Bons retornos a todos.
    Ítalo Carvalho

    Referências utilizadas:
    As plantas e as descrições foram traduzidas e adaptadas do site do Kutek

    segunda-feira, 12 de julho de 2010

    Materiais utilizados: os menos comuns

    Olá, pessoal!

    Em outros post falei sobre os materiais mais comuns utilizados como matéria-prima para bumerangues e detalhei um pouco a madeira, além de noções básicas sobre as influências da escolha do material. Agora chegou a vez dos materiais menos comuns.

    Os materiais que descrevo aqui são menos utilizados na fabricação artesanal de bumerangues por vários motivos. Geralmente são mais caros, mais difíceis de se encontrar e exigem equipamentos mais sofisticados (além de mais experiência) para shapear. Também é preciso tomar medidas de segurança específicas ao manuseá-los, pois podem produzir pós ou vapores tóxicos e bastante prejudiciais à saúde [1]. Por esses motivos é mais comum se ouvir falar da utilização desses materiais apenas por quem fabrica bumerangues para comercializar (e também por alguns poucos que competem e fazem para uso próprio). Confiram:
    • Fenolite - é um material feito de camadas de papel e resinas sintéticas. Densidade:  1,4 g/cm³ [1]. Usos: na espessura de 1,5 mm se faz MTA de três asas, em 2 mm serve para MTA de duas asas e Trick Catch, com 2,5 mm serve também para Trick Catch e com 3 mm e 3,5 mm serve para Australian Round [2]. Trabalho: Pelo pó e gases que libera, deve ser trabalhado com máscaras com filtro. Por ser duro, trabalhar com ferramentas elétricas acelera bastante o processo. Como conseguir: em lojas de plásticos industriais.
    • Celeron - semelhante ao fenolite, porém o papel é substituído por malha de tecido. Densidade: 1,35 g/cm³ [3]. Usos: com 2,5 mm de espessura para Trick Catck e com 3 mm para Australian Round [2]. Trabalho: da mesma forma que o fenolite. O corte deve ser feito com serra especial para metais, devido a sua dureza. Quanto mais fina a malha, melhor o acabamento [2]. Como conseguir: em lojas de plásticos industriais.
    • Fibra de vidro - fabricado com finíssimos filamentos de vidro aglutinados com resinas e colocados sob pressão. Bastante resistente a impactos. Também se vê por aí os nomes G10, G11 e TVE que são todos tipos de fibra de vidro. Densidade: 1,8 g/cm³ [1]. Usos: por ser um material denso é mais comum se utilizar as espessuras de 1,5 mm a 2 mm [1], podendo também ser usadas as de 2,5 mm e 3 mm [2]. É mais utilizados em modelos para Longa Distância e Australian Round [1], mas existem modelos para Trick Catch feitos nesse material [2]. Trabalho: pode-se usar moldes ou chapas. O corte deve ser feito com serra especial para metais, devido a sua dureza (no caso de se usar chapas). Alguns dos microfilamentos são liberados durante o trabalho e podem causas sérios danos à saúde, então é preciso usar máscara com filtro e proteção para os olhos, cobrir o máximo possível do corpo com roupas compridas e fechar com talco os poros da pele que não estiver coberta pelas roupas. Por ser duro, trabalhar com ferramentas elétricas acelera bastante o processo. Como conseguir: na forma de chapas de TVE, em lojas de plásticos industriais.
    • Policarbonato - é um material muito resistente a impactos e dos mais nobres na fabricação de bumerangues [4] Densidade: 1,2 g/cm³ [1]. Usos: nas espessuras de 2mm ou 3mm [4], principalmente em modelos para Australian Round, mas também para Precisão e Trick Catch [1]. Trabalho: para ser pintado, passa por um lixamento fino por toda a superfície para criar âncoras onde a tinta pode aderir [4]. Como conseguir: em lojas de plásticos industriais.
    • Fibra de carbono - material bastante resistente, o que permite que se faça bumerangues bem finos e leves com ele. É bastante caro e exige bastante conhecimento para ser trabalhado, então poucos se empenham em usá-lo Densidade: 1,7  g/cm³ [1]. Usos: nas espessuras de 1,2 mm a 2 mm [2], principalmente para MTA e raramente para LD. Trabalho: feito principalmente com moldes. Deve ser trabalhado com máscara com filtro e luvas. No caso de se usar chapas, o corte deve ser feito com serra especial para metais, devido a sua dureza. 
    • ABS - plástico bastante duro, mas com o tempo e a exposição à radiação UV do sol ele resseca e fica quebradiço, embora bumerangues feitos dele possam durar bastante se forem bem cuidados. Densidade: 1 g/cm³ [1]. Usos: Fast Catch, Enduro e Precisão. Trabalho: pode-se usar apenas grosas e lixas [2]. Como conseguir: Dificilmente se consegue chapas desse material, então é mais comum comprar bumerangues e modificá-los
    • Nylon -  é um polímero com características semelhantes ao PP e, apesar de seu alto preço, é bastante usado para fabricar bumerangues [1]. Não se ouve falar muito da fabricação artesanal de bumerangues desse material no Brasil. Densidade: 1,14 g/cm³ [1] . Usos: é mais utilizado em espessuras entre 2 mm e 3 mm [4] em modelos para Fast CatchEnduro, Trick Catch e Precisão [1]. É um pouco mais maleável que o PP e tende a resistir um pouco mais a ventos fortes. Trabalho: da mesma forma que o PP e também pode ser trabalhado sem proteção especial [1]. Também precisa de tratamento especial para ser pintado, pois a superfície não é muito porosa [4] . Como conseguir: em lojas de plásticos industriais.

    Bons retornos a todos!
    Ítalo Carvalho

    Referências utilizadas:
    [2] Jerri Leu, via e-mail (muito obrigado, Jerri!)
    [3] Univeda
    [4] Free Flyght

    quinta-feira, 24 de junho de 2010

    Programa sobre bumerangue

    Olá, pessoal!

    Quando um esporte atinge tal grau de popularidade é comum aparecerem na televisão e se promoverem discussões sobre ele com frequência. Bom, o bumerangue ainda (eu disse AINDA) não chegou a esse nível, mas já temos um programa on-line dedicado a ele. O Ricardo Marx acabou de lançar um canal via streaming com esse objetivo, confiram:
    O programa vai ao vivo toda quarta-feira a partir das 20:30, tratando sobre diversos assuntos do universo do bumerangue e é possível interagir através do chat (tem que se cadastrar, mas isso não é problema), fazendo perguntas e comentários. Quem perder a transmissão ao vivo não precisa se preocupar: os programas ficam gravados e podem ser vistos a qualquer hora.

    Fiquem ligados e acompanhem as novidades!

    Bons retornos a todos!
    Ítalo Carvalho

    sexta-feira, 21 de maio de 2010

    Canal de vídeos

    Olá, bumeranguers!

    Criei um canal de vídeos no Youtube para linkar vídeos interessantes sobre bumerangues. Isso vai facilitar o acesso ao material, pois em vez de procurar os vídeos através das buscas vocês vão encontrá-los organizados em listas de reprodução, cada uma com um tema diferente. Reportagens, exibições, guias e outras coisas, confiram:


    Alguns vídeos estão com o áudio em inglês e sem legendas, mas quem já entende um pouco não vai ter muitos problemas para assistir. 

    Vou adicionando mais vídeos à medida em que for encontrando. Para saberem das atualizações, fiquem de olho na página do blog no Twitter ou (quem tiver cadastro no Youtube) se inscrevam no canal. Pretendo adicionar também vídeos meus no futuro.

    Bons ventos a todos!
    Ítalo Carvalho.

    terça-feira, 18 de maio de 2010

    Arremessando em ventos fortes

    Olá, bumeranguers!

    Ventos fortes são um problema para quem vai arremessar. Não importa o quanto o bumerangue é adaptado pra esse tipo de vento, se o atleta não tiver habilidade o suficiente, não terá sucesso nos arremessos. Aqui vão algumas dicas de como lidar com vento forte:

    SURFANDO NO VENTO
    Essa é a maneira mais simples de compensar os ventos fortes. Arremessem o bumerangue com bastante elevação (pra cima) e inclinação (lay over) e coloquem bastante giro, mas com o mínimo de força possível. A velocidade do vento vai dar ao bumerangue toda a força necessária para que ele volte e vai evitar que ele caia no chão. Assim, vai parecer que ele está surfando no vento como um surfista nas ondas. Em ventos muito fortes, soltem o bumerangue com uns 40º de elevação e 45º de inclinação e vão ajustando de acordo com o modelo. Apesar de ter um efeito legal, é a maneira menos eficaz das quatro que apresento aqui. Mas pra quem já tem alguma experiência e consegue controlar o braço, essa é uma boa dica.

    ARREMESSO CORCUNDA (OU "SOBRE O MURO")
    Arremessem o bumerangue com bastante força, com a maior elevação e a com menor inclinação que conseguirem. O bumerangue irá subir, depois cair bastante e subir um pouco novamente no retorno. Em dias de vento fraco, o bumerangue voaria alto e cairia no chão no meio do trajeto, mas o vento forte evita a queda enquanto o leva de volta ao ponto de partida. Não recomendo que iniciantes tentem esse tipo de arremesso.

    ARRASTO E PESOS
    São as maneiras mais eficientes de lidar com ventos fortes. O arrasto reduz a velocidade do bumerangue e evita que ele passe por cima da cabeça de quem arremessou quando retorna. O arrasto pode ser criado deixando as bordas de ataque mais quadradas, através de furos, com o uso de elásticos ou de flaps. Já os pesos aumentam a massa do bumerangue, deixando ele mais difícil de ser carregado pelo vento. Vejam como  fazer tudo isso na seção de Regulagens. Para quem está começando a tentar arremessos em ventos fortes, essas são as melhores opções.

    A melhor forma de aprender a arremessar em ventos fortes é tentando e insistindo. Experimentem combinações de todas essas dicas, e testem diferentes ângulos em relação à direção do vento, adaptando a diferentes modelos de bumerangues. Agora, se vocês tiverem medo de arremessar nessas condições, comprem uma pipa.

    Bons ventos a todos!
    Ítalo Carvalho

    Referências utilizadas:
    O material desse post foi baseado em informações disponíveis no site Gel Boomerang