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terça-feira, 7 de setembro de 2010

Trifly nacional e importado: qual a diferença?

Olá, pessoal!

Há muito tempo vem se falando sobre as diferenças entre o Trifly nacional e o importado. Alguns dizem que o nacional seria maior e mais pesado e que isso atrapalharia seu desempenho, não dando pra modificá-lo para competições. Na verdade essas informações são um engano, vejam abaixo.

Foram comparados um exemplar em PP original do Darnell (vermelho, sem desenhos) e dois exemplares em PP da Bahadara (verde e branco com desenhos, iguais entre si, exceto pela cor). 

Trifly em PP importado. Notem que, ao contrário do nacional,
não há o nome da Bahadara gravado ao redor do círculo central

Primeiro foi medida a espessura de cada um. O Trifly nacional (esquerda) se mostrou 0,16 mm mais fino que o importado (cliquem nas fotos para ampliar):


Quanto ao peso, o nacional é 2 g mais leve:


Por fim, um Trifly nacional foi colocado sobre o importado. É possível perceber que a asa do nacional é alguns milímetros mais curta:


Concluindo: o bumerangue nacional é um pouquinho menor e mais leve que o importado. Porém, essa diferença não chega a ser significativa, sendo que ambos podem ser modificados das mesmas maneiras e resultam no mesmo desempenho. E quanto à resistência do material, o nacional não deixa nada a dever: o teste de qualidade é feito arremessando o bumerangue algumas vezes contra uma parede.

Mas porque essa diferença no tamanho? O Trifly é feito através de um molde onde o plástico é injetado. O molde do nacional foi feito usando um Trifly importado como base, logo o molde tem o tamanho exato desse bumerangue. Ao ser injetado no molde, o PP derretido preenche todo o espaço, mas ao resfriar ele se contrai ("encolhe") um pouco, resultando em um Trifly alguns milímetros menor. É válido ressaltar que o ABS e o nylon não sofrem essa contração, logo os bumerangues desses materiais ficam um pouco maiores que os de PP (tanto os nacionais, quanto os importados).

Uma dica: ao pegar plantas para modificações do Trifly (feitas geralmente com base no importado), não tentem encaixá-las no bumerangue nacional com referência no furo, pois ele estará deslocado por causa da diferença de tamanho. Para isso, utilizem as bordas.

E uma última observação: ninguém é obrigado a acreditar no que está escrito aqui. Quem duvidar pode repetir as mesmas medições e conferir por si mesmo.

Atualização em 24 de julho de 2011:

Vejam o vídeo com o próprio criador do TriFly, o norte-americano Eric Darnell, falando do bumerangue fabricado no Brasil:



Bons retornos a todos.
Ítalo Carvalho.

P.S.: Devido às repercussões deste post, publiquei um nota de esclarecimento ao público.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Visita à Bahadara

Olá, pessoas!

Nos dias 22 e 23 de agosto eu andei fazendo turismo de bumerangue! Aproveitei uma viagem a Maresias pra ter um contato maior com outros atletas e aqui estão minhas experiências!

Comecei encontrando com o Alexandre Ortega, de Boiçucanga. Lá ele me levou pra arremessar na praia (com bastante espaço e um brisa constante, um dos melhores lugares onde já arremessei) e me recebeu para um almoço em sua casa (o melhor frango assado do Brasil!) com sua família. Lá eu também descobri sobre bumerangues de acrílico, o que achei que não era possível (pensei que o material era muito frágil), mas parece me enganei. Uma pena que não pude conhecer o Rodrigo Bistricky, que os fabrica. Todos foram muito simpáticos, muito obrigado e desejo tudo de bom para vocês!

Alexandre (à esquerda) e eu

Saindo de Boiçucanga eu fui para São Paulo, onde o Magrão me recebeu.

Magrão e eu

Conheci a sede da Bahadara (ainda em construção) e vi a estrutura de silkagem (impressão dos desenhos) e embalagem dos bumerangues. Nunca tinha visto tanto bumerangue junto! Confiram:

Os bumerangues chegam da fábrica...

... e são silkados e embalados

Atrás de mim, os modelos tradicionais

Também tive um vislumbre da coleção de bumerangues do Magrão e de todo seu acervo de fotos, matérias e revistas:





Como eu só pude passar um dia lá, não deu pra explorar mais a fundo todo o material, mas vi algumas coisas interessantes, como o famoso bumerangue que o Magrão quebrou em seu primeiro contato com o objeto e um exemplar australiano com mais de 200 anos!

Primeiro bumerangue arremessado pelo Magrão, fabricado 
pelo Dr. Pagliuchi, o precursor do bumerangue no Brasil.

Modelo tradicional, original da Austrália, com 200 anos de idade

Conheci também a mãe do Magrão e a dona Vera, que trabalha com ele na Bahadara há anos, as duas muito simpáticas. 

E ainda ganhei de presente vários bumerangues, sendo que a maioria eu irei distribuir, aqui em Salvador, aos interessados em aprender a arremessar. Assim, espero popularizar ainda mais o nosso esporte!

Bumerangues que logo estarão voando nos céus de Salvador

Os tradicionais deram essa bela foto
(virou o papel de parede do meu computador!)

Porém, o mais importante não são os bumerangues, e sim o contato que mantivemos. O Magrão me contou várias coisas sobre o mundo do bumerangue e passou várias informações legais. Quem tiver a oportunidade de conhecer esse cara, com certeza vale a pena (se vocês quiserem saber um pouco sobre a história do bumerangue no Brasil e sobre o Magrão, leiam a matéria Do Boomerang ao Bumerangue!, da Ana Maria Lisbôa Mortari, no site VIVASP.com).

Valeu, tio! Vamos manter o contato pela internet e quando for possível nos encontramos de novo. Um forte abraço e todo o sucesso do mundo pra você!

Bons retornos a todos.
Ítalo Carvalho.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Modificando o Trifly

Olá, pessoal!

A história do bumerangue moderno teve vários momentos de pequenas revoluções e um deles foi a criação do modelo Trifly, pelo norte-americano Eric Darnell. O trunfo do Trifly é que, além de ser ambidestro, ele serve de plataforma para criar vários outros modelos, bastando alterando o outline e o shape. A depender do material, podem ser feitos modelos só para diversão ou para competição (Fast Catch, Trick Catch, Precisão e Enduro). A única limitação do Trifly é que ele não serve como base para modelos de MTA, Longa Distância e Australian Round.

Existem várias plantas de possíveis modificações por aí, mas poucas trazem maiores informações. Abaixo seguem oito delas com alguns detalhes. As modificações de 1 a 6 não exigem shape, basta cortar as três asas para que fiquem iguais às áreas em cinza da figura. Um detalhe: os modelos para Fast Catch e Enduro não serão dos mais rápidos (em comparação com os modelos mais recentes, já que esses foram criados há muitos anos), então não são bons para usar em campeonatos. Mas eles podem ser muito úteis para quem está começando a praticar essas modalidades par se acostumar com os tipos de arremesso e voo.


  1. Tem um voo circular que desacelera no final, mas ainda com bastante giro, terminando com um planeio a um pequena altura. Bom para treinar Fast Catch.
  2. Chamado de Enduro, esse modelo é bastante estável e com uma trajetória bem previsível, desacelerando continuamente. Pelo nome, já dá pra perceber que é um modelo para treino de Enduro.
  3. O modelo mais rápido dentre os descritos aqui, e também mais violento. Pode ser usado na segunda rodada de Fast Catch para conseguir menor tempo.
  4. Tem uma queda rápida no final, servido para a prova de Precisão.
  5. Muito estável e com bastante perda de giro no fim no voo, servindo para a prova de Fast Catch em ventos fortes.
  6. Inicialmente foi projetado para ser usado como inside na modalidade Doubler da prova de Trick Catch (o outside seria um Trifly sem modificações). Porém, foi utilizado por Gregory Bisiaux para determinar o então recorde mundial de Fast Catch (15.03 s). Não se sabe que modificações foram feitas no shape, mas o material era PP.
  7. Semelhante ao Enduro, mas com a asa mais estreita. Deve-se fazer uma borda de fuga, para deixá-lo mais rápido. Feito em em ABS, para a modalidade de Fast Catch.
  8. Chamado de Soft Toss, é um modelo bem fácil de ser lançado, devendo ser feita uma borda de fuga. Bom para Pegadas Consecutivas.

    Para marcar onde cortar no Trifly, vocês podem ampliar e imprimir a imagem (para o Trifly nacional a imagem deve ser ampliada para 162%):


    Depois recortar a planta desejada (neste caso, eu utilizei a nº 1), posicionar sobre a asa do Trifly e marcar as linhas de corte:

     

    Notem que o Trifly que usei já vem pintado (foto da esquerda), então, para as linhas ficarem mais visíveis, preferi marcá-las na parte de baixo do bumerangue. Para isso, eu inverti a planta (foto da direita). Vejam abaixo como ficou a asa marcada:


    E, por fim, o bumerangue pronto:


    É importante mencionar que, além do formato, o material do bumerangue também influencia. O de PP podem ser usados para Trick Catch e Precisão. Já para Fast Catch as melhores opções são o ABS (ventos fracos) e nylon (ventos mais fortes). Aqui no Brasil só temos os de PP e de ABS, vendidos pela Bahadara. Quem quiser de nylon, só mesmo importando (Flight Toys). E, para quem já ouviu falar sobre isso, leiam sobre as diferenças entre o Trifly nacional e o importado.

    Nos vídeos abaixo, o Ricardo Marx mostra como fazer um modelo para Fast Catch (não é um dos descritos acima) a partir de um Trifly de nylon e dá algumas outras dicas:


    Parte 1

    Parte 2


    Há outras plantas no site BUME.com.br, e, para quem gostar mesmo de modificar bumerangues, os modelos Renner (importado) e Infinity (Bahadara) oferecem outras possibilidades (inclusive para Australian Round). As plantas que estão aqui são apenas algo por onde começar, vocês podem ir muito além disso.

    Ah, e também é bom dizer que quando se altera o Trifly, o novo modelo não será ambidestro. Então, se você for canhoto, lembre-se de inverter as plantas (já que a maioria delas é para destro), inclusive as que mostrei aqui.


    Bons retornos a todos.
    Ítalo Carvalho

    Referências utilizadas:
    As plantas e as descrições foram traduzidas e adaptadas do site do Kutek

    segunda-feira, 12 de julho de 2010

    Materiais utilizados: os menos comuns

    Olá, pessoal!

    Em outros post falei sobre os materiais mais comuns utilizados como matéria-prima para bumerangues e detalhei um pouco a madeira, além de noções básicas sobre as influências da escolha do material. Agora chegou a vez dos materiais menos comuns.

    Os materiais que descrevo aqui são menos utilizados na fabricação artesanal de bumerangues por vários motivos. Geralmente são mais caros, mais difíceis de se encontrar e exigem equipamentos mais sofisticados (além de mais experiência) para shapear. Também é preciso tomar medidas de segurança específicas ao manuseá-los, pois podem produzir pós ou vapores tóxicos e bastante prejudiciais à saúde [1]. Por esses motivos é mais comum se ouvir falar da utilização desses materiais apenas por quem fabrica bumerangues para comercializar (e também por alguns poucos que competem e fazem para uso próprio). Confiram:
    • Fenolite - é um material feito de camadas de papel e resinas sintéticas. Densidade:  1,4 g/cm³ [1]. Usos: na espessura de 1,5 mm se faz MTA de três asas, em 2 mm serve para MTA de duas asas e Trick Catch, com 2,5 mm serve também para Trick Catch e com 3 mm e 3,5 mm serve para Australian Round [2]. Trabalho: Pelo pó e gases que libera, deve ser trabalhado com máscaras com filtro. Por ser duro, trabalhar com ferramentas elétricas acelera bastante o processo. Como conseguir: em lojas de plásticos industriais.
    • Celeron - semelhante ao fenolite, porém o papel é substituído por malha de tecido. Densidade: 1,35 g/cm³ [3]. Usos: com 2,5 mm de espessura para Trick Catck e com 3 mm para Australian Round [2]. Trabalho: da mesma forma que o fenolite. O corte deve ser feito com serra especial para metais, devido a sua dureza. Quanto mais fina a malha, melhor o acabamento [2]. Como conseguir: em lojas de plásticos industriais.
    • Fibra de vidro - fabricado com finíssimos filamentos de vidro aglutinados com resinas e colocados sob pressão. Bastante resistente a impactos. Também se vê por aí os nomes G10, G11 e TVE que são todos tipos de fibra de vidro. Densidade: 1,8 g/cm³ [1]. Usos: por ser um material denso é mais comum se utilizar as espessuras de 1,5 mm a 2 mm [1], podendo também ser usadas as de 2,5 mm e 3 mm [2]. É mais utilizados em modelos para Longa Distância e Australian Round [1], mas existem modelos para Trick Catch feitos nesse material [2]. Trabalho: pode-se usar moldes ou chapas. O corte deve ser feito com serra especial para metais, devido a sua dureza (no caso de se usar chapas). Alguns dos microfilamentos são liberados durante o trabalho e podem causas sérios danos à saúde, então é preciso usar máscara com filtro e proteção para os olhos, cobrir o máximo possível do corpo com roupas compridas e fechar com talco os poros da pele que não estiver coberta pelas roupas. Por ser duro, trabalhar com ferramentas elétricas acelera bastante o processo. Como conseguir: na forma de chapas de TVE, em lojas de plásticos industriais.
    • Policarbonato - é um material muito resistente a impactos e dos mais nobres na fabricação de bumerangues [4] Densidade: 1,2 g/cm³ [1]. Usos: nas espessuras de 2mm ou 3mm [4], principalmente em modelos para Australian Round, mas também para Precisão e Trick Catch [1]. Trabalho: para ser pintado, passa por um lixamento fino por toda a superfície para criar âncoras onde a tinta pode aderir [4]. Como conseguir: em lojas de plásticos industriais.
    • Fibra de carbono - material bastante resistente, o que permite que se faça bumerangues bem finos e leves com ele. É bastante caro e exige bastante conhecimento para ser trabalhado, então poucos se empenham em usá-lo Densidade: 1,7  g/cm³ [1]. Usos: nas espessuras de 1,2 mm a 2 mm [2], principalmente para MTA e raramente para LD. Trabalho: feito principalmente com moldes. Deve ser trabalhado com máscara com filtro e luvas. No caso de se usar chapas, o corte deve ser feito com serra especial para metais, devido a sua dureza. 
    • ABS - plástico bastante duro, mas com o tempo e a exposição à radiação UV do sol ele resseca e fica quebradiço, embora bumerangues feitos dele possam durar bastante se forem bem cuidados. Densidade: 1 g/cm³ [1]. Usos: Fast Catch, Enduro e Precisão. Trabalho: pode-se usar apenas grosas e lixas [2]. Como conseguir: Dificilmente se consegue chapas desse material, então é mais comum comprar bumerangues e modificá-los
    • Nylon -  é um polímero com características semelhantes ao PP e, apesar de seu alto preço, é bastante usado para fabricar bumerangues [1]. Não se ouve falar muito da fabricação artesanal de bumerangues desse material no Brasil. Densidade: 1,14 g/cm³ [1] . Usos: é mais utilizado em espessuras entre 2 mm e 3 mm [4] em modelos para Fast CatchEnduro, Trick Catch e Precisão [1]. É um pouco mais maleável que o PP e tende a resistir um pouco mais a ventos fortes. Trabalho: da mesma forma que o PP e também pode ser trabalhado sem proteção especial [1]. Também precisa de tratamento especial para ser pintado, pois a superfície não é muito porosa [4] . Como conseguir: em lojas de plásticos industriais.

    Bons retornos a todos!
    Ítalo Carvalho

    Referências utilizadas:
    [2] Jerri Leu, via e-mail (muito obrigado, Jerri!)
    [3] Univeda
    [4] Free Flyght

    quinta-feira, 24 de junho de 2010

    Programa sobre bumerangue

    Olá, pessoal!

    Quando um esporte atinge tal grau de popularidade é comum aparecerem na televisão e se promoverem discussões sobre ele com frequência. Bom, o bumerangue ainda (eu disse AINDA) não chegou a esse nível, mas já temos um programa on-line dedicado a ele. O Ricardo Marx acabou de lançar um canal via streaming com esse objetivo, confiram:
    O programa vai ao vivo toda quarta-feira a partir das 20:30, tratando sobre diversos assuntos do universo do bumerangue e é possível interagir através do chat (tem que se cadastrar, mas isso não é problema), fazendo perguntas e comentários. Quem perder a transmissão ao vivo não precisa se preocupar: os programas ficam gravados e podem ser vistos a qualquer hora.

    Fiquem ligados e acompanhem as novidades!

    Bons retornos a todos!
    Ítalo Carvalho